Provérbios

"Quem conhece os outros é sábio. Quem conhece a si mesmo é iluminado."

O pensamento chinês PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Pedro Monteiro   

As ideias filosóficas dos livros chineses mais antigos possuem conceitos taoistas. Conheça a fonte das bases da medicina chinesa.

O pensamento chinês, sobre o Universo, a Natureza e o Homem inspira profundamente as bases da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Quem queira compreender a lógica própria do diagnóstico e das terapias em MTC ganha muito em conhecer a filosofia que lhe é subjacente.

As origens da filosofia chinesa perdem-se nas origens da sua civilização. Os caracteres chineses que representam a palavra filosofar, Qin e Si, significam estar na imediatidade com a cabeça e o coração. Fazer filosofia significa, assim, pensar no que está mais perto, não negligenciando o afectivo, mas sabendo dominá-lo. Foi isso que o homem chinês fez ao longo dos milénios sobre o ser humano e a sua saúde, e que lhe permitiu construir as teorias básicas em que assenta hoje a MTC.

O próprio ideograma relativamente à palavra pressupõe um modo diferente de estar presente no momento com a cabeça e o coração. A palavra é linear, dedutiva e o ideograma é instantâneo, descontínuo e global. A escrita chinesa pressupõe um modo diferente de estabelecer relações entre factos, objectos ou situações.

As ideias filosóficas desenvolvidas nos livros chineses mais antigos, e que chegaram aos nossos dias, possuem conceitos taoístas, bem desenvolvidos, que podem ainda hoje ser aplicados em diferentes campos do conhecimento moderno. Por exemplo, de acordo com Capra, (1989) a teoria do Tao e da Polaridade Universal, resolve o conflito entre a física quântica e a física newtoniana.

«Quando o budismo chegou à China por volta do ano I DC deparou-se com uma cultura de mais de 2 mil anos. Nesta antiga cultura, o pensamento filosófico atingira o seu máximo durante os finais do período Chou (cerca de 500-221 AC), a época de ouro da filosofia chinesa, e desde essa altura o seu nível permaneceu esplendoroso.»

O povo chinês apresenta duas características fundamentais, por um lado, é um povo essencialmente prático e com elevada consciência social - as suas escolas filosóficas estão orientadas para a vida em sociedade, relações humanas, valores morais e prática política. E por outro, e complementarmente, existe um lado místico do carácter chinês. Esse lado exige, como principal objectivo da filosofia, a transcendência do mundo da sociedade e da vida quotidiana de forma a alcançar um nível de consciência mais elevado. É este o nível atingido pelo sábio, o ideal chinês correspondente àquele homem iliminado que alcançou a união mística com o universo.

No entanto, o sábio chinês não se move apenas neste elevado nível espiritual, está também atento aos acontecimentos mundanos. Ele abarca em si próprio os dois aspectos complementares da natureza humana:

1. Conhecimento prático e acção social - imagem do rei - movimento;

2. Sabedoria intuitiva e contemplação - imagem do sábio - quietude.

Durante o século VI AC, os dois aspectos da filosofia chinesa desenvolveram-se em duas escolas complementares distintas: o confucionismo e o taoísmo.

O confucionismo representava a filosofia da organização social, do senso comum e do conhecimento prático. Assegurava à sociedade chinesa um sistema de educação e um sem-número de convenções estritas de etiqueta social.

Um dos objectivos principais era o de formar uma base ética para o tradicional sistema de família chinesa, com a sua complexa estrutura e os seus rituais de adoração dos antepassados.

O taoísmo representava a filosofia que procurava a observação da natureza e a descoberta do seu rumo ou Tao. A felicidade humana, para os taoístas, é alcançada quando se segue a ordem natural, se actua espontaneamente ou se confia no próprio conhecimento intuitivo.

Estas duas tendências do pensamento representam pólos opostos na filosofia chinesa, mas para os próprios chineses esta dualidade sempre foi encarada como um e o mesmo aspecto da natureza humana, e, como tal, complementares.

A mente chinesa não era dada ao pensamento lógico abstracto. A palavra chinesa clássica era muito diferente do símbolo abstracto que representa um conceito claramente delineado. Era um símbolo que possuía forte poder sugestivo, trazendo ao espírito um complexo conjunto de imagens e emoções indeterminadas.

Os chineses, tal como os indianos, acreditam na existência de uma realidade última que está subjacente e unifica a multiplicidade de coisas e acontecimentos que observamos.

Os chineses não só acreditavam que o fluir e a mudança eram características essenciais da natureza, como também na existência de padrões constantes nessas mudanças, prontas a serem observadas por homens e mulheres.

«Aquele que se conforma com o percurso do Tao, adoptando os processos naturais do céu e da terra, acha fácil lidar com todo o mundo.»

As características do Tao são a sua natureza cíclica e o seu movimento e mudança incessantes. Os chineses crêem que sempre que uma situação se desenvolve até ao seu extremo está destinada a tornar-se no seu oposto.

À noção de padrões cíclicos na dinâmica de Tao foi dada uma estrutura bem definida pela introdução dos pólos opostos Yin e Yang. São eles que impõem os limites para os ciclos de mudança.

 
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